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Protocolos

ENDODONTIA · 60 a 90 min

Acesso coronário e biopulpectomia

A primeira sessão do canal em dente com polpa viva: da radiografia inicial à medicação intracanal.

12 passos na sequência6 pontos de parada

Atualizado em 13/08/2026 · 5 fontes desta versão

Quando fazer

  • Pulpite irreversível sintomática ou assintomática confirmada pelo diagnóstico pulpar
  • Dente restaurável, com remanescente coronário que permita isolamento absoluto
  • Necessidade de espaço para retentor intrarradicular em dente com polpa viva

Quando não fazer

  • Dente sem condição de restauração ou com fratura radicular vertical — a decisão é de exodontia (aula 14)
  • Complexidade acima do seu nível de treinamento: curvatura acentuada, dilaceração, canal calcificado, rizogênese incompleta (aula 43)
  • Necrose pulpar — o esvaziamento muda de técnica; ver o protocolo de necropulpectomia

Antes de começar

  • Diagnóstico pulpar e periapical registrados, com os dentes controle usados (aula 44)
  • Radiografia periapical recente, com o dente inteiro e 3 mm além do ápice visíveis
  • Anestesia profunda confirmada — polpa viva exige teste antes de tocar a câmara
  • Isolamento absoluto possível; se não for, resolver antes (parede provisória ou aumento de coroa)
Materiais
  • Radiografia periapical inicial e régua endodôntica
  • Anestésico local com vasoconstritor (aula 20)
  • Isolamento absoluto: lençol, arco, grampo do elemento, pinça porta-grampo, fio dental
  • Pontas diamantadas para acesso e broca de acesso de extremidade inativa
  • Brocas esféricas de baixa rotação para remoção de cárie
  • Sonda exploradora endodôntica (sonda reta e curva)
  • Limas tipo K #8, #10 e #15 · instrumentos de preparo cervical
  • Hipoclorito de sódio · seringa Luer lock com cânula de ponta romba e saída lateral
  • EDTA 17% · soro fisiológico · cones de papel absorvente
  • Hidróxido de cálcio para medicação intracanal · material de selamento provisório
  • Localizador apical eletrônico, quando disponível

SEQUÊNCIA

1. Radiografia inicial e comprimento provisório

1 / 12

Meça o comprimento aparente do dente na radiografia e subtraia 3 mm para obter o comprimento provisório de trabalho. Anote o ponto de referência coronário que você vai usar — cúspide ou borda incisal — antes de começar.

Avance quando: Comprimento provisório anotado por canal, com o ponto de referência nomeado. Sem isso, nenhuma lima entra no canal.

Radiografia sem o ápice visível ou com sobreposição não serve para medir. Repita antes, não depois.

Ver sequência completa

PARE E CHAME O PROFESSOR

Interrompa e chame a supervisão.

Um canal esperado para o elemento não é localizado.

Pare a busca. Irrigue, seque e chame o professor antes de aprofundar qualquer desgaste — a próxima tentativa às cegas é a que perfura.

Sangramento que não cessa após a remoção da polpa câmara e irrigação sustentada.

Mantenha o canal inundado e chame a supervisão: pode haver tecido pulpar remanescente, canal não localizado ou perfuração.

Dor intensa durante a instrumentação apesar da anestesia aparentemente eficaz.

Interrompa. Não insista com o paciente com dor — a suplementação anestésica (aula 21) vem antes de continuar.

Perda súbita de resistência ou sangramento vindo de ponto que não é a entrada do canal.

Suspeite de perfuração. Não instrumente mais, não irrigue com pressão, e chame o professor imediatamente — o prognóstico do reparo depende de selar cedo.

Instrumento fraturado dentro do canal.

Pare tudo, radiografe para localizar o fragmento e chame a supervisão. Registre no prontuário e informe o paciente — é conduta ética, não opção.

Extravasamento de hipoclorito: dor imediata e intensa, edema em minutos, equimose.

Emergência. Interrompa, irrigue o canal com soro fisiológico, controle a dor e acione a supervisão na hora. O paciente precisa de acompanhamento próximo.

Depois: o que o paciente precisa saber

  • Explique que desconforto leve à mastigação por alguns dias é esperado; dor crescente, edema ou febre não são, e exigem retorno
  • Oriente a não mastigar do lado tratado enquanto houver provisório
  • Analgesia conforme a necessidade e o perfil do paciente (aula 53); antibiótico não é rotina em endodontia sem repercussão sistêmica
  • Marque o retorno antes de o paciente sair — canal sem conclusão é canal em risco

ONDE AS ESCOLAS DIVERGEM

Onde termina o comprimento de trabalho

O alvo biológico é a constrição apical, que não aparece na radiografia — o localizador apical eletrônico existe justamente por isso. Estes protocolos adotam 1 mm aquém do ápice radiográfico como convenção de partida, que é a do revisor clínico da dentrilha; a aula 45 a refina pelo estado da polpa, e é ela que vale quando as duas se encontram: em polpa vital, de 1 a 2 mm aquém — o coto pulpar apical cicatriza, e feri-lo produz dor pós-operatória sem ganho —, e em necrose com lesão periapical, mais próximo, até 1 mm. A divergência real é outra: há escolas brasileiras que ensinam 2 mm em polpa vital reservando o comprimento total para a necrose, e a literatura não fecha a questão. Se a sua disciplina usa a outra, siga a sua disciplina — e registre no prontuário qual convenção usou.

Erros que custam caro

  • Abrir o dente antes de remover a cárie — leva contaminação direta ao canal
  • Procurar canal com broca em vez de sonda exploradora — produz desvio e perfuração
  • Desgastar o assoalho da câmara e perder o mapa das entradas dos canais
  • Fazer odontometria antes do preparo cervical — a medida muda depois e ninguém percebe
  • Travar a cânula de irrigação no canal — extravasamento de hipoclorito no periápice
  • Deixar teto de câmara remanescente — retém tecido, escurece a coroa e retém infecção
  • Selamento provisório fino, que reinfecta o canal entre as sessões
  • Escolher ponto de referência que será desgastado no ajuste oclusal

O que registrar

O registro faz parte do procedimento. Isto é rascunho de estudo — o prontuário oficial é o da sua instituição.

  • Diagnóstico pulpar e diagnóstico periapical, nomeados
  • Dentes usados como controle nos testes
  • Comprimento de trabalho por canal e o ponto de referência adotado
  • Substância irrigadora e concentração usada
  • Medicação intracanal e material do selamento provisório
  • Intercorrências, se houve — inclusive as resolvidas
Registrar evolução →

AS AULAS QUE ENSINAM O PORQUÊ

Fontes desta versão 5
  • Hargreaves, K. M.; Berman, L. H. (eds.). Cohen's Pathways of the Pulp. ElsevierA referência de maior alcance em endodontia: diagnóstico, preparo, obturação e retratamento.
  • Torabinejad, M.; Walton, R. E.; Fouad, A. F.. Endodontics: Principles and Practice. ElsevierTexto de graduação; é onde a sequência do tratamento aparece mais didática.
  • Lopes, H. P.; Siqueira Jr., J. F.. Endodontia: biologia e técnica. GEN Guanabara KooganReferência brasileira de endodontia; a nomenclatura de comprimento usada no Brasil vem daqui.
  • Glossary of Endodontic Terms. American Association of Endodontists. 2020Define os termos de diagnóstico pulpar e periapical que as aulas usam.Acesso aberto
  • Endodontic S3-level clinical practice guidelines: treatment of pulpal and apical disease. European Society of Endodontology. International Endodontic Journal. 2023Recomendações graduadas por nível de evidência — o que é consenso e o que ainda não é.doi.org/10.1111/iej.13897

Obras citadas bibliograficamente. Nenhum texto de terceiros é reproduzido aqui — o conteúdo é original e se apoia nestas referências. Como o conteúdo é feito