Canal com preparo químico-mecânico concluído e comprimento de trabalho estabelecido
Paciente assintomático, sem dor à percussão que não se explique pela manipulação
Canal seco: os cones de papel saem sem exsudato
Quando não fazer
Exsudato persistente no canal — indica infecção não controlada; refaça a medicação
Dor espontânea ou edema em evolução — trate a causa antes de obturar
Fístula ainda ativa: a obturação pode ser feita, mas a decisão passa pela supervisão
Antes de começar
Isolamento absoluto instalado e testado
Instrumento de memória e comprimento de trabalho anotados da sessão anterior
Radiografia disponível para a conometria
Materiais
Cones de guta-percha principal e acessórios
Cimento endodôntico (biocerâmico ou à base de resina epóxi)
Espaçadores digitais calibrados no comprimento de trabalho
Calcadores de Paiva · fonte de calor para o corte
Cones de papel absorvente · soro fisiológico · EDTA 17%
Material de selamento coronário definitivo ou provisório reforçado
SEQUÊNCIA
1. Remoção do provisório e da medicação
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Remova o selamento provisório sob isolamento e retire a medicação intracanal com irrigação abundante e recapitulação com o instrumento de memória.
Avance quando: Nenhum resíduo de medicação visível nas paredes; o instrumento de memória volta ao comprimento de trabalho sem resistência.
Hidróxido de cálcio remanescente interfere no selamento e na presa de alguns cimentos. A remoção é ativa, não presumida.
Ver sequência completa
PARE E CHAME O PROFESSOR
Interrompa e chame a supervisão.
Canal não seca — o cone de papel volta com exsudato.
Não obture. Reinstitua a medicação intracanal e chame a supervisão para reavaliar o diagnóstico e a extensão do preparo.
Cone principal ultrapassa o comprimento de trabalho.
Pare e reavalie com o professor: pode ser preparo além do limite ou destruição do batente apical. Obturar assim é sobreobturar.
Dor aguda do paciente durante a condensação, com anestesia adequada.
Interrompa a condensação. Dor durante a condensação sugere extrusão de material ou pressão sobre o periápice.
Radiografia final mostra falha, espaço vazio ou extrusão.
Mostre ao professor antes de liberar o paciente. Obturação insatisfatória se refaz na hora, enquanto o acesso está aberto e o campo isolado.
Depois: o que o paciente precisa saber
Desconforto à mastigação por alguns dias é esperado e cede; dor crescente ou edema exigem retorno
Orientar a não mastigar do lado tratado até a restauração definitiva
Marcar a restauração definitiva com data — dente endodonticamente tratado sem restauração definitiva fratura
Proservação clínica e radiográfica: retorno em 6 e em 12 meses
ONDE AS ESCOLAS DIVERGEM
Onde termina o comprimento de trabalho
O alvo biológico é a constrição apical, que não aparece na radiografia — o localizador apical eletrônico existe justamente por isso. Estes protocolos adotam 1 mm aquém do ápice radiográfico como convenção de partida, que é a do revisor clínico da dentrilha; a aula 45 a refina pelo estado da polpa, e é ela que vale quando as duas se encontram: em polpa vital, de 1 a 2 mm aquém — o coto pulpar apical cicatriza, e feri-lo produz dor pós-operatória sem ganho —, e em necrose com lesão periapical, mais próximo, até 1 mm. A divergência real é outra: há escolas brasileiras que ensinam 2 mm em polpa vital reservando o comprimento total para a necrose, e a literatura não fecha a questão. Se a sua disciplina usa a outra, siga a sua disciplina — e registre no prontuário qual convenção usou.
Erros que custam caro
Obturar canal que não secou — a infecção continua sob o selamento
Aceitar cone principal sem travamento apical, o que leva a sobreobturação
Pressão excessiva do espaçador em raiz fina — risco de fratura vertical
Deixar cimento e guta-percha na câmara, o que escurece a coroa
Terminar a sessão com provisório insuficiente, desfazendo o trabalho por infiltração
Não conferir a oclusão e devolver o paciente com contato prematuro no dente recém-tratado
O que registrar
O registro faz parte do procedimento. Isto é rascunho de estudo — o prontuário oficial é o da sua instituição.
Número de canais obturados e a técnica empregada
Cimento utilizado
Comprimento final de obturação por canal
Material do selamento coronário e se é provisório ou definitivo
Hargreaves, K. M.; Berman, L. H. (eds.). Cohen's Pathways of the Pulp. ElsevierA referência de maior alcance em endodontia: diagnóstico, preparo, obturação e retratamento.
Torabinejad, M.; Walton, R. E.; Fouad, A. F.. Endodontics: Principles and Practice. ElsevierTexto de graduação; é onde a sequência do tratamento aparece mais didática.
Lopes, H. P.; Siqueira Jr., J. F.. Endodontia: biologia e técnica. GEN Guanabara KooganReferência brasileira de endodontia; a nomenclatura de comprimento usada no Brasil vem daqui.
Endodontic S3-level clinical practice guidelines: treatment of pulpal and apical disease. European Society of Endodontology. International Endodontic Journal. 2023Recomendações graduadas por nível de evidência — o que é consenso e o que ainda não é.doi.org/10.1111/iej.13897
Obras citadas bibliograficamente. Nenhum texto de terceiros é reproduzido aqui — o conteúdo é original e se apoia nestas referências. Como o conteúdo é feito