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Protocolos

ENDODONTIA · 45 a 70 min

Obturação por condensação lateral e selamento coronário

A sessão que fecha o canal: do cone principal ao selamento que protege o que foi feito.

11 passos na sequência4 pontos de parada

Atualizado em 13/08/2026 · 4 fontes desta versão

Quando fazer

  • Canal com preparo químico-mecânico concluído e comprimento de trabalho estabelecido
  • Paciente assintomático, sem dor à percussão que não se explique pela manipulação
  • Canal seco: os cones de papel saem sem exsudato

Quando não fazer

  • Exsudato persistente no canal — indica infecção não controlada; refaça a medicação
  • Dor espontânea ou edema em evolução — trate a causa antes de obturar
  • Fístula ainda ativa: a obturação pode ser feita, mas a decisão passa pela supervisão

Antes de começar

  • Isolamento absoluto instalado e testado
  • Instrumento de memória e comprimento de trabalho anotados da sessão anterior
  • Radiografia disponível para a conometria
Materiais
  • Cones de guta-percha principal e acessórios
  • Cimento endodôntico (biocerâmico ou à base de resina epóxi)
  • Espaçadores digitais calibrados no comprimento de trabalho
  • Calcadores de Paiva · fonte de calor para o corte
  • Cones de papel absorvente · soro fisiológico · EDTA 17%
  • Material de selamento coronário definitivo ou provisório reforçado

SEQUÊNCIA

1. Remoção do provisório e da medicação

1 / 11

Remova o selamento provisório sob isolamento e retire a medicação intracanal com irrigação abundante e recapitulação com o instrumento de memória.

Avance quando: Nenhum resíduo de medicação visível nas paredes; o instrumento de memória volta ao comprimento de trabalho sem resistência.

Hidróxido de cálcio remanescente interfere no selamento e na presa de alguns cimentos. A remoção é ativa, não presumida.

Ver sequência completa

PARE E CHAME O PROFESSOR

Interrompa e chame a supervisão.

Canal não seca — o cone de papel volta com exsudato.

Não obture. Reinstitua a medicação intracanal e chame a supervisão para reavaliar o diagnóstico e a extensão do preparo.

Cone principal ultrapassa o comprimento de trabalho.

Pare e reavalie com o professor: pode ser preparo além do limite ou destruição do batente apical. Obturar assim é sobreobturar.

Dor aguda do paciente durante a condensação, com anestesia adequada.

Interrompa a condensação. Dor durante a condensação sugere extrusão de material ou pressão sobre o periápice.

Radiografia final mostra falha, espaço vazio ou extrusão.

Mostre ao professor antes de liberar o paciente. Obturação insatisfatória se refaz na hora, enquanto o acesso está aberto e o campo isolado.

Depois: o que o paciente precisa saber

  • Desconforto à mastigação por alguns dias é esperado e cede; dor crescente ou edema exigem retorno
  • Orientar a não mastigar do lado tratado até a restauração definitiva
  • Marcar a restauração definitiva com data — dente endodonticamente tratado sem restauração definitiva fratura
  • Proservação clínica e radiográfica: retorno em 6 e em 12 meses

ONDE AS ESCOLAS DIVERGEM

Onde termina o comprimento de trabalho

O alvo biológico é a constrição apical, que não aparece na radiografia — o localizador apical eletrônico existe justamente por isso. Estes protocolos adotam 1 mm aquém do ápice radiográfico como convenção de partida, que é a do revisor clínico da dentrilha; a aula 45 a refina pelo estado da polpa, e é ela que vale quando as duas se encontram: em polpa vital, de 1 a 2 mm aquém — o coto pulpar apical cicatriza, e feri-lo produz dor pós-operatória sem ganho —, e em necrose com lesão periapical, mais próximo, até 1 mm. A divergência real é outra: há escolas brasileiras que ensinam 2 mm em polpa vital reservando o comprimento total para a necrose, e a literatura não fecha a questão. Se a sua disciplina usa a outra, siga a sua disciplina — e registre no prontuário qual convenção usou.

Erros que custam caro

  • Obturar canal que não secou — a infecção continua sob o selamento
  • Aceitar cone principal sem travamento apical, o que leva a sobreobturação
  • Pressão excessiva do espaçador em raiz fina — risco de fratura vertical
  • Deixar cimento e guta-percha na câmara, o que escurece a coroa
  • Terminar a sessão com provisório insuficiente, desfazendo o trabalho por infiltração
  • Não conferir a oclusão e devolver o paciente com contato prematuro no dente recém-tratado

O que registrar

O registro faz parte do procedimento. Isto é rascunho de estudo — o prontuário oficial é o da sua instituição.

  • Número de canais obturados e a técnica empregada
  • Cimento utilizado
  • Comprimento final de obturação por canal
  • Material do selamento coronário e se é provisório ou definitivo
  • Plano restaurador definitivo, com prazo
  • Data da proservação combinada
Registrar evolução →

AS AULAS QUE ENSINAM O PORQUÊ

Fontes desta versão 4
  • Hargreaves, K. M.; Berman, L. H. (eds.). Cohen's Pathways of the Pulp. ElsevierA referência de maior alcance em endodontia: diagnóstico, preparo, obturação e retratamento.
  • Torabinejad, M.; Walton, R. E.; Fouad, A. F.. Endodontics: Principles and Practice. ElsevierTexto de graduação; é onde a sequência do tratamento aparece mais didática.
  • Lopes, H. P.; Siqueira Jr., J. F.. Endodontia: biologia e técnica. GEN Guanabara KooganReferência brasileira de endodontia; a nomenclatura de comprimento usada no Brasil vem daqui.
  • Endodontic S3-level clinical practice guidelines: treatment of pulpal and apical disease. European Society of Endodontology. International Endodontic Journal. 2023Recomendações graduadas por nível de evidência — o que é consenso e o que ainda não é.doi.org/10.1111/iej.13897

Obras citadas bibliograficamente. Nenhum texto de terceiros é reproduzido aqui — o conteúdo é original e se apoia nestas referências. Como o conteúdo é feito