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Protocolos

URGÊNCIA · 40 a 60 min

Urgência: abscesso apical agudo

A sessão que tira a dor: drenagem pela via correta, e o critério para quando o antibiótico entra.

9 passos na sequência4 pontos de parada

Atualizado em 02/08/2026 · 5 fontes desta versão

Quando fazer

  • Dor de início rápido, intensa, com dor à percussão e edema
  • Dente com necrose pulpar confirmada — ausência de resposta aos testes de sensibilidade
  • Tumefação localizada, com ou sem ponto de flutuação

Quando não fazer

  • Sinais de disseminação: trismo importante, disfagia, edema de assoalho bucal ou periorbitário, comprometimento de vias aéreas — é encaminhamento hospitalar imediato, não atendimento ambulatorial
  • Paciente com repercussão sistêmica grave: prostração, desidratação, alteração de consciência

Antes de começar

  • Diagnóstico pulpar e periapical estabelecidos, com o dente de origem identificado (aula 44)
  • Avaliação de risco sistêmico e de sinais de disseminação (aulas 4 e 23)
  • Decisão sobre o destino do dente: tratar ou extrair — a urgência não decide sozinha
Materiais
  • Anestésico local — planejar a técnica considerando o pH do tecido inflamado (aula 21)
  • Isolamento absoluto
  • Instrumental de acesso endodôntico e limas de pequeno calibre
  • Hipoclorito de sódio, soro fisiológico, cones de papel
  • Lâmina de bisturi nº 11 ou 15 e pinça hemostática, se houver drenagem por via cirúrgica
  • Dreno, quando indicado
  • Hidróxido de cálcio e material de selamento provisório

SEQUÊNCIA

1. Avaliar disseminação antes de tudo

1 / 9

Antes de pensar no dente, avalie o paciente: temperatura, trismo, disfagia, edema de assoalho ou periorbitário, estado geral.

Avance quando: Ausência de sinais de disseminação e de comprometimento de via aérea. Havendo qualquer um, o passo seguinte é encaminhamento, não drenagem.

Infecção odontogênica mata por via aérea, não por dor. Este passo não se pula por pressa, nem quando o paciente insiste na dor.

Ver sequência completa

PARE E CHAME O PROFESSOR

Interrompa e chame a supervisão.

Trismo, disfagia, edema de assoalho bucal, edema periorbitário ou alteração de voz.

Encaminhamento hospitalar imediato. Não tente resolver na clínica; acione a supervisão na hora e providencie a remoção do paciente.

Febre alta, prostração ou alteração do estado geral.

Chame o professor antes de qualquer procedimento local — o quadro é sistêmico e a conduta muda.

Primeira incisão de drenagem que você fará.

Chame o professor para acompanhar. Escolha do ponto de incisão e profundidade não se aprendem no texto.

Drenagem não se estabelece pelo canal nem por incisão.

Não insista com instrumentação além do ápice. Reavalie o diagnóstico com a supervisão: pode não ser de origem endodôntica.

Depois: o que o paciente precisa saber

  • Explique os sinais que exigem procurar atendimento antes do retorno: aumento do edema, febre, dificuldade de engolir ou abrir a boca
  • Compressa fria nas primeiras horas, se houver edema; calor úmido apenas com orientação
  • Analgesia com horário fixo nas primeiras 24 a 48 horas costuma funcionar melhor que sob demanda
  • Retorno em 24 a 48 horas — a reavaliação faz parte do tratamento, não é opcional

Erros que custam caro

  • Prescrever antibiótico e mandar o paciente para casa sem drenar
  • Deixar o dente aberto ao fim da sessão — o alívio é temporário e a contaminação, garantida
  • Injetar anestésico dentro da área de tumefação
  • Esquecer o alívio oclusal, que é barato e alivia muito
  • Não avaliar sinais de disseminação por estar focado no dente
  • Tratar a urgência e não definir o destino do dente, deixando o paciente sem plano

O que registrar

O registro faz parte do procedimento. Isto é rascunho de estudo — o prontuário oficial é o da sua instituição.

  • Queixa, tempo de evolução e o exame que localizou a origem
  • Diagnóstico pulpar e periapical
  • Sinais sistêmicos avaliados — inclusive os ausentes
  • Via de drenagem utilizada e o que foi obtido
  • Medicação intracanal e selamento
  • Prescrição, com a justificativa do antibiótico ou da sua ausência
  • Data do retorno e as orientações dadas
Registrar evolução →

AS AULAS QUE ENSINAM O PORQUÊ

Fontes desta versão 5
  • Hargreaves, K. M.; Berman, L. H. (eds.). Cohen's Pathways of the Pulp. ElsevierA referência de maior alcance em endodontia: diagnóstico, preparo, obturação e retratamento.
  • Glossary of Endodontic Terms. American Association of Endodontists. 2020Define os termos de diagnóstico pulpar e periapical que as aulas usam.Acesso aberto
  • Endodontic S3-level clinical practice guidelines: treatment of pulpal and apical disease. European Society of Endodontology. International Endodontic Journal. 2023Recomendações graduadas por nível de evidência — o que é consenso e o que ainda não é.doi.org/10.1111/iej.13897
  • Wannmacher, L.; Ferreira, M. B. C.. Farmacologia Clínica para Dentistas. Guanabara KooganReferência brasileira de prescrição odontológica, com escolha por evidência.
  • Andrade, E. D.. Terapêutica Medicamentosa em Odontologia. Artes MédicasEsquemas de prescrição e manejo do paciente com doença sistêmica, no contexto brasileiro.

Obras citadas bibliograficamente. Nenhum texto de terceiros é reproduzido aqui — o conteúdo é original e se apoia nestas referências. Como o conteúdo é feito