Dentadura mista: o normal que não se trata
9 seções · Leitura, síntese e fontes
Menino de 8 anos e 2 meses, trazido pela mãe com uma queixa específica e uma foto no celular: um espaço de 3 mm entre os incisivos centrais superiores, que "está aumentando". No exame, os dois laterais superiores estão inclinados para distal, os centrais projetados para vestibular, e há sobremordida aumentada. A mãe já pesquisou, já ouviu falar de freio, e chega pedindo aparelho.
Contexto da aula
Nada ali precisa de tratamento. O que o menino tem é a apresentação clássica de uma fase do desenvolvimento normal, descrita há mais de setenta anos e ainda mal reconhecida na clínica: os caninos permanentes, ainda intraósseos, estão pressionando as raízes dos laterais, que se abrem em leque e empurram os centrais para os lados. Quando os caninos erupcionarem, as raízes voltam ao paralelismo e os diastemas fecham sozinhos.
O custo de não reconhecer isso não é teórico. É um aparelho colado numa criança de 8 anos para fechar um espaço que ia fechar, com uma frenectomia no meio do caminho e a chance real de recidiva — porque o que mantinha o espaço aberto nunca foi o freio.
Esta aula é a lista do que é normal na dentadura mista. Ela existe porque, nesta fase, a decisão mais frequente e mais valiosa do clínico geral é não intervir — e essa decisão só é defensável se você souber nomear o que está vendo.
DESTA AULA, NA CONSULTA
O que esta aula ensina, em ficha de consulta rápida — para achar em segundos com o paciente na cadeira.
