Pular para o conteúdo
dentrilhaTodos os protocolos
Protocolos

CIRURGIA · 20 a 40 min

Exodontia simples

A extração sem retalho, do exame ao coágulo estável — com os movimentos que cada grupo dentário pede.

11 passos na sequência6 pontos de parada

Atualizado em 07/09/2026 · 7 fontes desta versão

Quando fazer

  • Dente com indicação de extração e coroa íntegra o suficiente para apreensão pelo fórceps
  • Acesso direto ao elemento, sem necessidade de osteotomia ou odontossecção
  • Raiz sem curvatura acentuada, hipercementose ou anquilose evidentes na radiografia

Quando não fazer

  • Dente incluso, semirretido ou com raiz que a radiografia mostra dilacerada — é exodontia complexa (aula 51)
  • Risco sistêmico não avaliado ou não compensado — hipertensão descontrolada, coagulopatia, uso de anticoagulante sem plano, bisfosfonato endovenoso (aula 49)
  • Área irradiada ou dente em campo de neoplasia — a decisão é do especialista

Antes de começar

  • Radiografia periapical recente com o ápice inteiro e as estruturas vizinhas visíveis
  • Anamnese e risco sistêmico avaliados, com pressão arterial aferida (aula 4)
  • Consentimento: o paciente sabe o que será feito, os riscos e o pós-operatório
  • Plano definido para o espaço que vai ficar — a extração é o começo de uma reabilitação, não o fim de um problema
Materiais
  • Anestésico local e seringa carpule
  • Sindesmótomo ou destaca-periósteo
  • Fórceps compatível com o elemento e a arcada
  • Alavancas retas e anguladas
  • Cureta de Lucas · lima para osso · pinça hemostática
  • Gaze estéril · seringa com soro fisiológico
  • Porta-agulha, fio de sutura e tesoura, quando houver indicação de sutura

SEQUÊNCIA

1. Conferência final antes de anestesiar

1 / 11

Confirme o elemento na boca e na radiografia, em voz alta com o paciente. Confira a anatomia vizinha: seio maxilar, canal mandibular, forame mentual.

Avance quando: Elemento confirmado por dois caminhos independentes — o exame clínico e a imagem — e o paciente confirmou qual dente será extraído.

Extração de dente errado é evitável e acontece por pressa. Este passo custa vinte segundos.

Ver sequência completa

PARE E CHAME O PROFESSOR

Interrompa e chame a supervisão.

Sinais de disseminação — febre, trismo, disfagia, edema que cruza a linha média, elevação do assoalho de boca.

O caso deixa de ser ambulatorial: acione o serviço de emergência antes de qualquer procedimento (aula 23). Fora desses sinais, a remoção da fonte É o tratamento — drenagem sem eliminar a origem é adiamento, e adiar a exodontia é adiar a infecção.

Fratura radicular com fragmento retido que não sai com manobra simples.

Pare. Radiografe e chame o professor: a decisão entre remover por via alveolar, abrir retalho ou deixar o fragmento é dele, e depende do tamanho, da profundidade e da proximidade de estruturas nobres.

Comunicação com o seio maxilar suspeitada — sopro de ar, bolhas, visão de espaço no alvéolo de molar ou pré-molar superior.

Não curete, não peça ao paciente para assoar. Chame o professor imediatamente: o tratamento muda conforme o tamanho, e o manejo correto na primeira hora evita a fístula.

Sangramento que não cessa com compressão sustentada por 30 minutos.

Mantenha a compressão e chame a supervisão. Não libere o paciente — investigue causa local e reveja o histórico de anticoagulação.

Parestesia relatada em território de nervo alveolar inferior ou lingual após o procedimento.

Registre o achado com precisão, informe o paciente e chame o professor. O acompanhamento começa hoje, e a documentação é o que protege o paciente e você.

O dente não se move após luxação insistente, ou é preciso força que você não esperava.

Pare de forçar. Força crescente contra resistência produz fratura de tábua óssea ou de tuberosidade. Reavalie a radiografia com a supervisão: pode ser anquilose, hipercementose ou raiz dilacerada.

Depois: o que o paciente precisa saber

  • Morder a gaze por 30 a 60 minutos; se o sangramento persistir, trocar por gaze limpa e morder novamente
  • Nas primeiras 24 horas: sem bochecho, sem cuspir com força, sem canudo, sem esforço físico, sem fumar — tudo que gera pressão negativa ou pressão arterial desloca o coágulo
  • Alimentação fria ou morna e macia no primeiro dia; compressa fria externa intermitente nas primeiras horas
  • Higiene: escovar os demais dentes normalmente desde o primeiro dia, evitando a área operada; iniciar higiene suave da região em 24 horas
  • Analgesia conforme a prescrição, com horário fixo nas primeiras 24 horas em vez de sob demanda
  • Procurar atendimento se: sangramento que não cede com compressão, dor que aumenta a partir do terceiro dia, febre, edema crescente ou dificuldade de abrir a boca

Erros que custam caro

  • Prescrever antibiótico depois de exodontia simples em paciente hígido — não há indicação, nem profilática nem pós-operatória (aula 53)
  • Apoiar a alavanca no dente vizinho, luxando dois elementos
  • Apreender o fórceps na coroa em vez da raiz, o que fratura a coroa
  • Aplicar força rápida em vez de sustentada — o osso não tem tempo de ceder
  • Rotacionar dente multirradicular, fraturando raiz
  • Pular a sindesmotomia e rasgar a gengiva na luxação
  • Curetar demais o alvéolo e prejudicar o coágulo
  • Liberar o paciente sem confirmar hemostasia
  • Dar as orientações só verbalmente — o paciente anestesiado retém pouco

O que registrar

O registro faz parte do procedimento. Isto é rascunho de estudo — o prontuário oficial é o da sua instituição.

  • Elemento extraído e a indicação da extração
  • Anestésico usado, concentração, vasoconstritor e número de tubetes
  • Técnica empregada e intercorrências — inclusive as resolvidas
  • Integridade das raízes conferida
  • Hemostasia obtida e se houve sutura
  • Orientações entregues e prescrição
  • Plano de reabilitação do espaço e data do retorno
Registrar evolução →

AS AULAS QUE ENSINAM O PORQUÊ

Fontes desta versão 7
  • How To Do an Emergency Tooth Extraction. Merck Manual Professional EditionGuia técnico: inspeção, irrigação, curetagem quando necessária e compressão se o alvéolo foi expandido.Acesso aberto
  • Trombelli, L.; Farina, R.; Marzola, A. et al.. Modeling and remodeling of human extraction sockets. Journal of Clinical Periodontology. 2008Biópsias humanas mostram variabilidade da formação óssea; não sustentam prazo radiográfico universal.doi.org/10.1111/j.1600-051X.2008.01246.x
  • Schropp, L.; Wenzel, A.; Kostopoulos, L.; Karring, T.. Bone healing and soft tissue contour changes following single-tooth extraction: a clinical and radiographic 12-month prospective study. International Journal of Periodontics & Restorative Dentistry. 2003Mudanças do rebordo ao longo de 12 meses; o fim do seguimento não prova estabilização definitiva.Acesso aberto
  • Hupp, J. R.; Ellis III, E.; Tucker, M. R.. Contemporary Oral and Maxillofacial Surgery. ElsevierA base da exodontia: movimentos por elemento, fórceps, retalhos e complicações.
  • Miloro, M. (ed.). Peterson's Principles of Oral and Maxillofacial Surgery. SpringerReferência para o que ultrapassa a cirurgia oral menor — e para saber quando ultrapassou.
  • Malamed, S. F.. Handbook of Local Anesthesia. ElsevierDoses máximas, técnicas de bloqueio e manejo da falha anestésica.
  • Andrade, E. D.. Terapêutica Medicamentosa em Odontologia. Artes MédicasEsquemas de prescrição e manejo do paciente com doença sistêmica, no contexto brasileiro.

Obras citadas bibliograficamente. Nenhum texto de terceiros é reproduzido aqui — o conteúdo é original e se apoia nestas referências. Como o conteúdo é feito