Avaliação pré-operatória e planejamento cirúrgico
9 seções · Leitura, síntese e fontes
Uma mulher de 68 anos precisa extrair o 36, sem condição de tratamento. Usa varfarina por fibrilação atrial. O cirurgião-dentista pede ao cardiologista que suspenda o anticoagulante por três dias.
Contexto da aula
No segundo dia sem a medicação ela tem um acidente vascular cerebral.
O sangramento que a suspensão pretendia evitar é controlável na cadeira com gaze, sutura e um hemostático local. O evento tromboembólico que ela causou não é reversível. A conduta correta era aferir o INR e operar.
Esta aula trata das decisões que se tomam antes de a lâmina encostar no paciente, e a maior parte delas é sobre não fazer o que parece prudente.
Ela reúne as condutas cirúrgicas do paciente sistemicamente comprometido. O manejo geral desse paciente — fora do contexto cirúrgico — é da aula 66, e a estratificação de risco que abre toda decisão é a da aula 4. O traumatismo dentário, com seus critérios de reimplante e seus prazos de ferulização, não é assunto desta aula: o protocolo inteiro é da aula 62.
Seu percurso
Uma ideia de cada vez
1 / 9Quando adiar por evento cardiovascular
Quando adiar por evento cardiovascular
Os prazos fixos de seis meses após infarto e após acidente vascular cerebral não correspondem à prática atual, e o critério deixou de ser o evento para ser a revascularização e a antiagregação em curso.
Após infarto sem revascularização: o intervalo de referência da literatura de cirurgia eletiva é de cerca de 60 dias. O livro adota os 3 meses, por coerência com a aula 4, que classifica infarto ou acidente vascular nos últimos três meses como estado físico IV — ameaça constante à vida — e como classe III depois disso. Diante de duas referências, prevalece a mais conservadora, e ela é a que o resto do livro já usa.
Após angioplastia, o prazo é ditado pelo que foi implantado e pela dupla antiagregação que ele exige:
| Situação | Adiar o eletivo por |
|---|---|
| Angioplastia com balão | ≥ 14 dias |
| Stent convencional | ≥ 30 dias |
| Stent farmacológico por síndrome coronariana aguda | ≥ 12 meses |
| Stent farmacológico por doença coronariana crônica | ≥ 6 meses |
| Qualquer stent implantado há menos de 1 mês | não operar eletivo — o dano está estabelecido |
Após acidente vascular cerebral: adiar no mínimo 3 meses, idealmente 9 meses — o risco de evento cardiovascular maior é cerca de quatorze vezes o basal antes dos 3 meses e estabiliza por volta dos 9.
E a regra que vale mais que todas as anteriores: urgência odontológica não se adia. Dor e infecção não tratadas impõem risco cardiovascular maior que o procedimento que as resolve. Os limiares de pressão arterial da aula 4 continuam valendo, e são eles que separam adiar de prosseguir.
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Aprender fazendo
Coloque a ideia em prática
O nome do anticoagulante muda a pergunta
Distinguir avaliação de anticoagulantes diretos da monitorização por INR usada com antagonistas da vitamina K.
- Varfarina
Antagonista da vitamina K; INR pode informar a anticoagulação.
- Apixabana
Anticoagulante oral direto; INR não quantifica adequadamente seu efeito.
Dois pacientes fictícios usam anticoagulantes diferentes: um usa varfarina; outro, apixabana. Pode-se pedir INR para medir igualmente o efeito de ambos e decidir suspensão?
Fontes e critérios
Revisão documental · versão 1. A atividade não recebeu aprovação clínica profissional.
- Management of Dental Patients Taking Anticoagulants or Antiplatelet DrugsKey recommendations; INR não é adequado para DOACs; diferenças por risco do procedimento
Continue no Laboratório
Suas escolhas e dúvidas acompanham esta aula.
DESTA AULA, NA CONSULTA
O que esta aula ensina, em ficha de consulta rápida — para achar em segundos com o paciente na cadeira.
