Classe IV: reconstruir o ângulo que se perdeu
11 seções · Leitura, síntese e fontes
Menina de 15 anos, queda de bicicleta há duas horas. Fratura do incisivo central superior esquerdo envolvendo esmalte e dentina, sem exposição pulpar, com perda do ângulo mesioincisal. Ela trouxe o fragmento embrulhado num guardanapo de papel, seco.
Contexto da aula
Três decisões foram tomadas naquela consulta, e duas delas estavam erradas.
A primeira foi certa: a dentina exposta foi coberta no mesmo dia — é conduta de urgência e não espera pela restauração definitiva (aula 62).
A segunda foi errada por omissão: o teste de sensibilidade deu negativo, e ficou registrado como "provável necrose". Não é. Teste de sensibilidade logo após o trauma dá negativo com frequência, por resposta transitória da polpa, e um único teste negativo nas primeiras horas não diagnostica nada. Ele se repete no acompanhamento (aula 62), e é lá que a resposta significa alguma coisa.
A terceira foi errada por pressa: a restauração definitiva foi feita à mão livre, na mesma sessão, com tira de poliéster. Ficou com o ângulo curto, sem a anatomia palatina do dente contralateral, e com uma borda incisal opaca e reta ao lado de uma borda vizinha que tem mamelos e um halo translúcido. O contorno estava errado antes de a cor entrar na conta.
Esta aula é sobre a terceira decisão: como se reconstrói um ângulo incisal de modo previsível.
DESTA AULA, NA CONSULTA
O que esta aula ensina, em ficha de consulta rápida — para achar em segundos com o paciente na cadeira.
