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Não aceita dado de paciente
Consulta

CONDIÇÃO · CARIOLOGIA E DENTÍSTICA

Lesão cervical não cariosa

Perda de estrutura na cervical SEM bactéria. A restauração não trata a causa — e é a que mais falha em toda a dentística direta.

LCNCTambém: LCNC, lesão em cunha, abrasão cervical, erosão dentária, abfração

Condição bucal — é o que se trata

O que é

Perda de estrutura dentária na junção amelocementária sem envolvimento bacteriano, de superfície lisa, muitas vezes brilhante e endurecida, em cunha, em prato ou em concavidade rasa. Três mecanismos se somam: abrasão (escovação traumática), erosão (ácido extrínseco ou intrínseco) e a hipótese da abfração (estresse oclusal). Biótipo gengival fino não causa a lesão, mas favorece a recessão que expõe a cervical.

Não se ajusta oclusão para tratar LCNC

Não desgastar dente sadio para criar retenção

Sem foto datada, 'progrediu' e 'não progrediu' são impressão

Excesso cervical deixado produz inflamação gengival permanente — e a culpa costuma ser atribuída à higiene do paciente

O que perguntar na anamnese

  1. Com que escova o senhor escova? Com quanta força? Quantas vezes por dia?
  2. Toma refrigerante, suco cítrico, vinagre, vinho, água com limão? Com que frequência, e em que momento do dia?
  3. Tem azia, refluxo ou queimação? Costuma vomitar?
  4. Sente sensibilidade ao frio nesses dentes? Atrapalha alguma coisa?

O que observar

  • Superfície lisa, brilhante e endurecida à sondagem — o oposto da lesão cariosa cervical, que é opaca e rugosa
  • Padrão de abrasão: em cunha, vestibular, mais marcado do lado oposto à mão dominante
  • Padrão de erosão extrínseca: mais vestibular; intrínseca: mais palatina e oclusal — a face orienta, a anamnese fecha
  • Sinais de ATIVIDADE: superfície fosca, sensibilidade presente, margens nítidas, progressão documentada
  • Sinais de ESTABILIDADE: superfície polida e brilhante, dentina esclerosada e escurecida, sem sintoma, dimensão inalterada em registro anterior

Como interfere no atendimento

  • A restauração cobre o que já se perdeu; ela não impede a progressão nem trata a causa
  • Umidade: a margem fica na altura da gengiva ou abaixo, com fluido crevicular contínuo — contaminação da margem é a causa nº 1 de falha adesiva
  • Geometria expulsiva: não há parede retentiva, e só a adesão segura a restauração
  • Dentina esclerosada condiciona e infiltra pior que dentina hígida

Riscos

  • Restaurar sem tratar a causa: a restauração cai, ou a lesão continua ao lado dela
  • Ajustar oclusão para 'tratar abfração' — intervenção irreversível apoiada em causalidade não demonstrada
  • Erosão intrínseca não investigada: refluxo e transtorno alimentar são diagnósticos médicos, e o desgaste palatino pode ser o primeiro sinal

A decisão do dia

Adaptar

  • Restaurar apenas com uma das quatro indicações: sensibilidade que não cede ao dessensibilizante, lesão profunda com risco pulpar ou de fratura, estética que incomoda, ou exigência protética/periodontal
  • Isolamento absoluto com grampo cervical retrator estabilizado; na impossibilidade, relativo COM fio retrator intrassulcular
  • Asperizar a dentina esclerosada e condicionar por 30 s, com aplicação ativa do adesivo
  • Ionômero de vidro tem a melhor retenção nesta indicação; resina onde a estética manda; sanduíche combina as duas

Adiar

  • Lesão rasa, estável e assintomática em quem ainda escova com força: primeiro a escova, depois a resina

Encaminhar ou interconsultar

  • Suspeita de erosão intrínseca — refluxo, vômito recorrente, transtorno alimentar — para avaliação médica

Onde as aulas ensinam isto

Ligado a

E AGORA

Material educacional — não substitui decisão clínica.

Atualizada em 08/08/2026