Mordida cruzada e hábitos: o que interceptar, e a hora
9 seções · Leitura, síntese e fontes
Menina de 5 anos e 7 meses, primeira consulta, sem queixa. Ao pedir que ela morda, o estudante vê duas coisas: os molares decíduos superiores do lado direito ocluindo por dentro dos inferiores, e a linha média inferior desviada 2 mm para a direita. Ela chupa o polegar, à noite, para dormir. A mãe diz que "é só de um lado, ela mastiga bem".
Contexto da aula
O estudante registra "mordida cruzada posterior unilateral direita" e marca retorno em seis meses. A leitura está incompleta, e a conduta está errada.
O que faltou foi um movimento de dez segundos: guiar a mandíbula até a relação cêntrica. Feito isso, as linhas médias coincidem e o cruzamento aparece dos dois lados, em topo. A criança não tem uma mordida cruzada unilateral: tem uma constrição bilateral da maxila e, para conseguir ocluir, desliza a mandíbula para o lado. O que se vê em oclusão é a consequência do desvio, não o problema.
A diferença não é semântica. Desvio funcional mantido durante o crescimento é o único achado desta trilha em que a literatura recomenda eliminar o quanto antes — e "vamos acompanhar" é, aqui, a decisão errada dita com a palavra certa.
DESTA AULA, NA CONSULTA
O que esta aula ensina, em ficha de consulta rápida — para achar em segundos com o paciente na cadeira.
