CONDIÇÃO · PERIODONTIA
Periodontite
Perda de inserção interproximal em dois ou mais dentes não adjacentes. Quem teve periodontite continua sendo.
Também: periodontite tratada estável, periodontite em atividade, problema na gengiva, piorreia
Condição bucal — é o que se trata
O que é
Existe periodontite quando há perda de inserção clínica interproximal detectável em dois ou mais dentes não adjacentes; alternativamente, quando há perda de inserção vestibular ou lingual de 3 mm ou mais acompanhada de bolsa maior que 3 mm, em dois ou mais dentes.
Complexidade só eleva. O estágio não regride — nem depois de tratamento bem-sucedido
O prognóstico não se decide no exame inicial; define-se na reavaliação
Exemplo da aula: 50 anos com 30% de perda óssea dá razão 0,6 — grau B; 28 anos com 40% de perda dá 1,43 — grau C
O que perguntar na anamnese
- O senhor fuma? Quantos cigarros por dia, e há quantos anos?
- Tem diabetes? Qual foi o valor da última hemoglobina glicada?
- Tem radiografias antigas que a gente possa comparar?
- Alguém da família perdeu dentes cedo por causa da gengiva?
O que observar
- Perda de inserção interproximal no pior sítio
- Perda óssea radiográfica
- Sangramento à sondagem e profundidade de sondagem
- Envolvimento de furca, mobilidade, defeito de rebordo
Como interfere no atendimento
- Quem teve periodontite continua sendo paciente de periodontite — a perda de inserção não se recupera e o estágio não regride
- É a condição que precede qualquer procedimento reabilitador eletivo
- Diagnóstico completo = condição + extensão + estágio + grau
- Cirurgia periodontal exige treinamento específico: retalho de acesso está ao alcance do generalista treinado; regeneração, cirurgia mucogengival e manejo de furca complexa são território de encaminhamento
Riscos
- Chamar de periodontite a perda de inserção localizada de causa local — fratura radicular vertical tratada como bolsa periodontal rende meses de raspagem em dente perdido
A decisão do dia
Adaptar
- Periodontite tratada estável: sangramento abaixo de 10%, profundidade de até 4 mm, nenhum sítio de 4 mm sangrante
- Um sítio de 4 mm que não sangra é compatível com estabilidade; o mesmo sítio de 4 mm sangrando reclassifica o paciente como periodontite em atividade
- Estágio pela perda de inserção interproximal no pior sítio: I de 1 a 2 mm; II de 3 a 4 mm; III e IV a partir de 5 mm
- Perda óssea radiográfica: I terço coronal abaixo de 15%; II terço coronal de 15% a 33%; III e IV terço médio ou além
- Perda dentária por periodontite: nenhuma nos estágios I e II; até 4 dentes no III; 5 dentes ou mais no IV
- Complexidade do III: sondagem de 6 mm ou mais, perda vertical de 3 mm ou mais, furca grau II ou III, defeito de rebordo moderado. Do IV: disfunção mastigatória, mobilidade grau 2 ou maior, defeito de rebordo severo, colapso de mordida, migração ou leque, menos de 20 dentes remanescentes
- Grau: presume-se B. Evidência direta em 5 anos — sem perda = A, menos de 2 mm = B, 2 mm ou mais = C. Indireta — percentual de perda óssea dividido pela idade: abaixo de 0,25 = A, de 0,25 a 1,0 = B, acima de 1,0 = C
- Modificadores, que só elevam: tabagismo com menos de 10 cigarros por dia = B, 10 ou mais = C; diabetes com HbA1c abaixo de 7,0% = B, 7,0% ou mais = C
- Extensão: localizada abaixo de 30% dos dentes acometidos, generalizada a partir de 30%; padrão incisivo-molar registrado à parte
Encaminhar ou interconsultar
- Envolvimento de furca não é razão para extração — nem grau II, nem grau III
- Regeneração, cirurgia mucogengival e manejo de furca complexa são território de encaminhamento
Onde as aulas ensinam isto
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