Vesicobolhosas e ulceradas: as duas perguntas que reorganizam o diferencial
10 seções · Leitura, síntese e fontes
Mulher de 34 anos, terceiro episódio em um ano. Chega com quatro úlceras pequenas e rasas, muito doloridas, e diz o que já ouviu três vezes: "são aftas, sempre me dão aftas". Usa um gel de farmácia há anos.
Contexto da aula
Duas perguntas mudam o diagnóstico em menos de um minuto.
A primeira: onde estão as úlceras? Duas estão na mucosa jugal, e duas estão no palato duro — mucosa ceratinizada. Ulceração aftosa recorrente envolve mucosa não ceratinizada. Úlcera em palato duro ou dorso de língua não é afta.
A segunda: havia alguma coisa antes da úlcera? Ela responde que sim, sem hesitar: apareceram "umas bolinhas com água" que estouraram em um dia. Havia vesícula antes.
Com as duas respostas, o diagnóstico deixa de ser afta e passa a ser herpes recorrente intraoral. E a consequência é prática: o que ela vinha usando trata sintoma de outra doença, o quadro tem gatilhos e recorrência com padrão próprio, e — o que mais importa — a conduta de uma úlcera que não cicatriza deixa de seguir a lógica da afta.
Esta aula é sobre as lesões com perda de substância e sobre as que nascem de bolha. Ela se organiza em torno de duas perguntas, porque na cadeira são elas que separam o grupo, e as duas são gratuitas.
DESTA AULA, NA CONSULTA
O que esta aula ensina, em ficha de consulta rápida — para achar em segundos com o paciente na cadeira.
